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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A PRIMEIRA FILHA

           Não dá para esconder a grande emoção da primeira vez. E eu que aos 40 anos achava que já havia vivido as principais emoções! Isto, até sentir na pele o que a vinda de uma criança, a primeira, pode proporcionar.
           "Marinheiro de primeira viagem," como muitos dizem, caminhei rumo ao hospital para o grande e primeiro encontro meu com minha filha. Confesso que um filme passou pela minha vida. Não era sem motivo, pois afinal de contas estava para vivenciar mais uma experiência no meu "sacerdócio."
            Melhor foi chegar em casa trazendo o grande presente de Deus - uma linda criança.
               Não muito diferente de mim, minha esposa não tinha nenhuma experiência com relação aos primeiros cuidados: banhos, cuidar do umbigo... Foi aí que aconteceu a segunda graça em nossa vida - a ajuda de Rone. Ele era um amigo recente, assim como a nossa experiência. Muito alegre e prestativo sem igual. Sem igual também era o seu assumir a homossexualidade. Só uma pessoa simpática e contagiante assim é que poderia passar tanta confiança nos cuidados com a nossa recém nascida. Jamais esqueceremos dele, apesar de mudarmos de cidade. 
               Assim como não dá para esquecer as primeiras emoções, também não dá para esquecer a primeira visita  à nossa filha. Tratou-se de N, linda e bonita com certeza, que comovida pela notícia do nascimento, assim como os pastores em Belém, veio oferecer sua total atenção. Oculto o seu nome por respeito a ela, pois muitos ainda não entendem certas opções (e muito menos o motivo) e por isso passam a vida inteira discriminando algo ou a alguém que não conhece. A referida pessoa é  vista por muitos como "prostituta ou profissional do sexo." Seu presente foi oferecer ajuda no que fosse preciso, além da simpatia que espontaneamente dela emanava. 
               O interessante de tudo é que, quando olhamos o essencial numa pessoa, não a enxergamos por rótulos ou pelo que faz ou deixa de fazer. Talvez seja o verdadeiro enxergar além das viseiras, ultrapassando barreiras/fronteiras como: discriminação, preconceito, racismo...
                As emoções não acabaram. Veio o segundo filho; as terceiras filhas ( fomos agraciados com  gêmeas). Tornam-se indescritíveis as sensações de cada "por vir." Mas como se canta: "o importante é que emoções eu vivi." E o perder nessas emoções, fez com que algo de muito importante fosse percebido mais tarde: se numa relação amorosa o que importa é a entrega sem medida, é o doar sem consequências, é dar sem esperar nada em troca, então o que Rone e N nos proporcionaram foram vários encontros de amor. Eles "fizeram amor" conosco e só tempos depois é que fomos capazes de perceber. Será que é pelo fato de sermos, nesse assunto também, "marinheiros de primeira viagem?   

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