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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Doce lembrança

Os versos que seguem, retratam a lembrança do tempo de infância da figura do vendedor de quebra-queixo. Figura inusitada que, assim que aparecia na rua onde eu morava, era motivo para toda criança correr para comprar o doce que ele vendia. Sua aparição era percebida de forma inevitável, pois tocava sempre um triângulo que o anunciava. Eis então os versos:

Trim, trim, tiriri, trim, trim
todo dia e o dia inteiro
lá vem o moço doceiro.
 
Não trazia grandes coisas
apenas banco, maleta, triângulo e jeito treteiro
assim como todo mineiro.

Só Deus sabia o que ele tocava (liberdade?)
e mesmo em época de ditadura
ele vendia algumas doçuras.

Do seu doce - o quebra-queixo
crianças deliciavam-se, que gostosura!
puxa e coco, eis a mistura.

Pouco eu sabia associar acontecimentos
Armstrong pisara na lua
e eu corria prá ver o quebra quiexo na rua .

Beatles, Elvis, Jerry Lewis...
quando o quebra-queixo passava
tudo tinha sentido, entoava.

Hoje já nem sei de quem se tratava
só sei que fico a recordar
e ao mesmo tempo a questionar.

Não ouço mais o trim, trim, tiriri,trim, trim
e fica uma interrogação:
qual será o legado dessa geração?

O plim plim está no ar
a cibernética é uma realidade
a imaginação e a simplicidade dá lugar à maldade.

A correria é tamanha, estranha
meus filhos terão o que recordar
ou não verão o tempo passar?

Mas a esta geração fica um apelo:
mesmo com casas cibernéticas e ruas desertas
desperta!

Como o poeta diz:
"faça a sua história acontecer
não deixe outro fazer".