Muito obrigado pelo acesso!

A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

terça-feira, 29 de março de 2011

O BOM PASTOR

Há dias que estou a refletir sobre a Parábola do Bom Pastor(Jo 10,1-21). Isto tornou até uma inquietação. Daí as reflexões e indagações que no momento externo, tendo em vista não contê-las: O que é ser Bom Pastor? Quais os requisitos básicos para ser um Bom Pastor? Qual é o conhecimento que os pastores atuais têm das ovelhas para que possam ser designados assim? Há deturpações na busca do compreender o sentido do ser pastor? As lideranças religiosas são fiéis ao Bom Pastor? Tais questionamentos talvez não serão todos respondidos, mas é propósito deste artigo pelo menos suscitar a inquietude nos leitores, visto a importância de tal tema.
O Evangelho de São João é bem claro ao caracterizar o Bom Pastor: É aquele que entra pela porta principal que é Cristo. É o que não "cai de paraquedas" na comunidade, pois ele entra pela porta, conhece as ovelhas e elas lhe conhecem. Caso contrário, o próprio Evangelho fala que se trata de um salteador, ladrão e não pastor(Jo 10,1-3). Outra qualidade do pastor destacada no Evangelho é o conhecimento. Pastor e ovelhas se conhecem. O Pastor as chama pelo nome e elas ouvem e obedecem. Chamar pelo nome na Bíblia tem o significado de profunda intimidade no seguimento. Isto evita o seguir a estranhos. Outra condição evangélica é que o pastor seja porta para o caminho da vida. Ele enfatiza: "vida em abundância"(Jo 10,10). A outra condição não está longe da anterior: o pastor tem que estar disposto a dar a vida pelas ovelhas e não só para as do grupo, mas também para as que estão dispersas para que a unidade tão querida por Cristo aconteça, pois é missão recebida do Pai(Jo 10,11-18).
O Evangelho deixa claro também que o oposto a pastor é mercenário. O mercenário é descomprometido com as ovelhas, pois em situação de perigo logo foge deixando-as por conta do lobo.
O Bom Pastor tem por supremacia o amor. O mercenário prioriza o oposto ao amor: faz sofrer; é maldoso; invejoso; trata os outros com leviandade; é soberbo; indecente; busca somente seus interesses; irrita; propicia o mal; se compraz com injustiças; não sofre com o sofrimento do outro; desacredita de tudo e de todos; não tem esperança e nem dá esperança a alguém; não suporta e nem dá chance a ninguém; só vê as coisas em partes e por isso mesmo será aniquilado; não acredita na superação do amor(ICor 13,1-13).
Hoje, como ovelhas, sentimos muito o fato de muitas vezes na igreja não existir a unidade tão desejada por Cristo. Às vezes nos decepcionamos com as atitudes daqueles que estão à frente das comunidades que por motivos como ganância, poder, avareza, desequilíbrio emocional, desequilíbrio afetivo ou por outros motivos, frustram a caminhada do povo (ovelhas do Senhor). Por outro lado, o Evangelho nos tranquiliza e deixa claro que as boas atitudes são originadas do Bom Pastor e aquelas que não são, são as de um mercenário disfarçado de pastor. Cabe então a cada ovelha de Cristo orar para que haja cada vez mais verdadeiros e santos pastores a exemplo de Cristo o Grande Pastor que não quer que nenhum pecador (ovelha) se perca, mas que se converta e viva.

quinta-feira, 24 de março de 2011

CONTO PARA ADULTOS ( ou ENTRELINHAS)

Era uma vez uma colmeia com aproximadamente 18.852 abelhas. Tudo parecia bem e feliz, quando houve um desfalque na sua população. Repentinamente a abelha que cuidava com dedicação e harmonia da populosa colmeia veio a faltar. A comoção foi enorme! Como a vida na colmeia não podia parar, logo foi providenciado o substituto da saudosa rainha. O termo substituto usado aqui não é engano, pois não achando uma abelha com as qualidades de acolhedora, misericordiosa, atenciosa, respeitosa e não gananciosa, foi necessário servir-se de um zangão mesmo. Só por aí já se percebeu que a colmeia iria sair perdendo, mas em nome da boa fé, deu-se muita credibilidade ao zangão. Sua missão era muito simples: respeitar a simplicidade das abelhas, proporcionando-lhes a docilidade de tal forma que o vigor do mel não faltasse.
Não resta dúvida que apesar de simples, a missão era um grande desafio, mas nada de impossível para o zangão. Aliás, nessa missão ele não estava sozinho. Disse não estava porque, como no mundo dos humanos, no início tudo era mil maravilhas, tranquilo, mas com o tempo ele começou a mostrar suas garras e só não mostrou seu ferrão porque zangão não o possui. Com isso, vieram os descontentamentos. Pouco a pouco os zumbidos ( rumores) começaram a tomar conta da colmeia. Os favos, outrora exemplo de comunidade em células foram se rompendo. A unidade na pluriformidade na formação dos mesmos deixou de existir. Há falhas notadas ao se colher os favor: alguns favos num canto e outros em outro canto. Panelinhas? Não. Este fenômeno só se dá no relacionamento dos humanos!
A colmeia contava também com a ajuda de outras abelhas distantes. Cheias de carismas chegaram e à colmeia se juntaram. Tudo daria certo se não fosse a petulância do zangão. Depois de um tempo, sem mais e sem menos, repentinamente e sem explicação voaram rumo à colmeia de origem. A colmeia local não entendeu tal saída repentina e até hoje "ignora" os reais motivos da mesma não para preservar o zangão, mas para o bem comum da colmeia.
Você que está acostumado a ver final feliz nos contos, neste não terá seu desejo realizado porque o conto ainda não terminou devido ao fato de que a vida na colmeia continua. Terá final feliz? Sem dúvida alguma que sim, pois as abelhas têm três certezas que garantem isso: são convictas da missão; estão cientes de que a permanência do zangão na colmeia não é eterna e a certeza de que a rainha maior (verdade, justiça, misericórdia, compaixão, benignidade...), independente da vontade ou atos do zangão, irá sobrepor a tudo e congregar no amor toda a colmeia conforme ela merece.

segunda-feira, 14 de março de 2011

FLAGA

Hoje entrei no sumidouro de meu ser
e me peguei introvertido.
Estava tão dentro de mim
que quase não me conheci.
Ocultei-me de tudo e de todos
da superficialidade, da aparência.
Me encontrei!
Embebeci-me no líquido púrpuro
de minha interioridade,
senti a vitalidade de cada membro.
Percebi as atitudes transformadas
e as que precisam de transformação.
Vi avanços e retrocessos
e nessa jornada sem igual
reconheci que os gestos feitos até então
não passaram de pura obrigação.
Vi relativa sincronia entre os membros inferiores ou não
com objetiva preocupação: coordenação perfeita
mesmo que para tal não haja
movimentos necessariamente iguais
como os pés prá frente e os braços para atrás,
importando apenas a cadência do andar.
Assim, vi a grandeza do Criador
e inspirado nela,
senti vontade de quebrar barreiras, me externar
e com o retorno, um privilégio único
partilhado apenas com Aquele
que sabe como realmente sou:
Quem só me vê de forma externa
é cego de minha grandiosidade interna
é pobre da minha riqueza interior