Muito obrigado pelo acesso!

A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"O AUTO DO COMPARECIDO" - II

Olha lá quem está passando!
simpático como ele só
aperto de mão ali, lá e acolá
promete sempre do povo se lembrar.

Seu abraço é tinhoso
com tempo e prazo de validade
aproveita do povo esperançoso
que acredita que o gesto é de verdade.

Em velório é o primeiro
o choro é quase verdadeiro
não fosse o sorriso preso entre os dentes
seria tal ato convincente

Seu sorriso é jeitoso, sem igual
está longe de ser leal
pronto está para ser filmado
pois para isso foi treinado.

Com jeito e trejeitos
tem um objetivo só:
ser eleito não importa o jeito,
pois do povo mesmo quer o voto só.

Chega o dia esperado!
será entre os eleitos contado?
Uma vez eleito e satisfeito
do driblar o povo logo pega o jeito.

Parece um círculo vicioso
eleito, aprende ser ganancioso
e para o próximo pleito eleito ser
já arranja um jeito de aparecer.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CONTRADIÇÃO

Certo dia acordei disposto
tudo levava a creditar
numa nova etapa da vida.
Acreditava que a tristeza tem fim
e a felicidade não
para contradizer o Grande Poeta.
Tudo parecia bem
até surgir um contratempo
que me fez em pedaços
e, ainda não satisfeito,
jogou-me no liquidificador
reduzindo-me a lágrimas.
Não fosse o sorriso das crianças,
que saudaram-me com um feliz ano novo,
não me atinaria para o primeiro dia do ano.
Tal saudação soou-me como um novo despertar
e assim pude compreender
que restavam trezentos e sessenta e quatro dias
para eu me reerguer, me refazer
e sustentar com afinco
a boa contradição ao Poeta:
felicidade não tem fim
tristeza sim.

AMULETO

Há um pé de trevo em minha casa
trevo de quatro folhas.
Aliás nem casa eu tenho
é casa de aluguel, mas o trevo é meu.
Há trevo, mas não me atrevo
brincar com a sorte.
Ele não me acena com a Sena.
Qual é o bicho da sorte? Não sei!
Só sei que o bicho pega.
Há trevo, mas falta a sorte
não há sorte porque falta o norte
que quero encontrar
antes da morte chegar.

domingo, 9 de janeiro de 2011

VEREADOR(A) : necessidade de um repensar político - I

Tendo em vista a importância do legislativo municipal, o presente artigo vem mostrar a importância da figura do vereador, bem como fornecer certas informações a respeito do mesmo. O período é propício, pois ainda estamos no clima de mudança da Presidência da Câmara em todos os municípios brasileiros. O fato de estar ciente de que hoje o Brasil possui 57.748 vereadores e que no próximo ano possivelmente o número dos eleitos passará para aproximadamente 59.500 também torna o assunto aqui proposto bem oportuno, pois num fechar de olhos estaremos frente às eleições municipais e a responsabilidade de escolhas será inevitável. Uma vez justificado, é propósito deste, mostrar o que significa ser vereador, suas funções (atribuições), requisitos básicos para que alguém se torne vereador e por fim, opinião do autor deste a respeito de outros requisitos que poderiam ser exigidos.
Historicamente, sabemos que no princípio, os vereadores tinham funções administrativas e judiciárias. Sua origem está ligada às lutas pela instituição do Governo Comunal. Para fazer valer a presença do povo nestas lutas foi necessário escolher uns poucos para representá-lo na estrutura governamentista que se criava, dada a impossibilidade da participação de todos no governo. Anos depois, com a colonização portuguesa, a ideia desse mandato primitivo foi trazida para ao Brasil, sendo que no início também possuía funções meramente administrativas, passando depois para as funções de legislar e fiscalizar.
Quanto às funções, sabemos que não cabe ao vereador administrar diretamente os interesses e bens do município, mas apenas indiretamente, votando leis e demais proposições ou apontando providências ou soluções administrativas que devem ser executadas pelo gestor municipal (prefeito), quando cabíveis. Sem sombra de dúvidas, a atribuição mais importante do vereador está no fato dele ser (juntamente com os demais colegas parlamentares) responsável pela elaboração da Lei Orgânica do Município, que é uma espécie de Constituição Municipal que contém normas para proporcionar melhorias à população, cabendo ao poder executivo o dever de cumpri-la. Em outras palavras, basicamente a função do vereador consiste em legislar (elaborar projetos e outras proposições que são votadas na Câmara); fiscalizar (controle e fiscalização dos atos do executivo); sugerir (quando ele não pode elaborar um projeto de lei); representar (ser “porta voz da população”, do partido que ele representa e dos movimentos organizados).
No que se refere aos requisitos para que alguém possa se candidatar a vereador pode ser dizer que é necessário: ter nacionalidade brasileira; estar filiado(a) a algum partido político; ter a idade mínima de 18 anos; possuir domicílio eleitoral no município pelo qual concorre ao cargo; ter pleno exercício dos direitos políticos.
Antes de expressar aqui os outros requisitos que julgo necessários, dada a importância de tal parlamentar, quero pedir desculpas pelos inúmeros verbos que obrigatoriamente estarão no futuro do pretérito. Muitas das ideias que serão sugeridas, na presente conjuntura não passam de ideais utópicos que infelizmente justificam tal tempo verbal. Também quero ressaltar neste que o fato de enfatizar a importância de um repensar político com relação à função do vereador como agente político, não quer denegrir a imagem dos atuais vereadores brasileiros, pois felizmente há ainda muitos que apesar da pouca formação e da imagem tão desgastada do político brasileiro, ainda conseguem honrar compromissos assumidos e dignificar o cargo para o qual foram eleitos.
Tendo em vista a tamanha importância do legislador que por hora é objeto de toda atenção, principalmente no tocante às suas funções e atribuições delineadas no terceiro parágrafo, acredito que o povo deveria levar em consideração outros tão importantes quanto os acima apresentados. Para início de conversa, não deveria ser o indivíduo que escolhesse ser vereador, mas o interesse de toda a comunidade ou bairro. O fato de alguém ser eleito deveria significar a coroação de seus infinitos trabalhos (serviços) prestado na e para a comunidade (o que muitas vezes é ignorado). É bom lembrar que não existe liderança repentina. A liderança se dá com a inserção e engajamento na comunidade, associação ou bairro. Visto a necessidade de a comunidade ser de fato representada na Câmara Municipal, a própria comunidade deveria escolher (com pré-eleição ou através de vários escrutínios) quem deveria ser seu representante legal no legislativo, acabando assim de vez com os oportunistas e amigos dos famosos tapinhas nos ombros de quatro em quatro anos. Desse modo, o vereador seria de fato o representante dos interesses da comunidade, não ficando alheio à mesma. A comunidade ou bairro deveria se unir em torno de um nome e concretizar tal escolha no dia da eleição para que seja um ato legal, que posteriormente será reconhecido pela Justiça eleitoral. Evitaria desse modo também que a comunidade se dividisse de tal forma que não alcançasse eleger seu representante por não conseguir a maioria dos votos necessários.
Como sabemos, não basta ser eleito. O fato tem que ser reconhecido pela justiça eleitoral. É a Diplomação que dá veracidade (reconhecimento) ao ato eletivo. Portanto, o eleito tem que ser diplomado pela Justiça Eleitoral para que ele possa tomar posse. Neste ato tão importante é que deveria ser exigido um documento (como um alvará) atestando que de fato o sujeito eleito possui condições necessárias para ocupar o cargo, devido aos seus constantes serviços prestados à comunidade ou bairro. Este certificado seria verdadeiro aval para um feliz e eficaz mandato.
Uma vez tomado posse, o vereador passaria por um período (como o probatório) de formação ou capacitação para que ele pudesse ter maior conhecimento de leis; aprenderia a elaborar projetos; teria aulas de ética, de zelo pelo bem público, retórica ou oratória... Dessa forma evitaria com certeza o despreparo político e com isso muitas piadinhas entorno do político deixariam de existir.
Por fim, para se evitar a imparcialidade, deixo claro que em minha opinião a eficácia do legislativo (no caso aqui o municipal) só se daria de modo total se o cargo fosse de caráter voluntário. Primeiramente seria evitada a quantidade enorme de candidatos que em boa parte ignoram a importância do cargo almejado. Também se evitaria o oportunismo, a exploração e apropriação indevida do bem público, por parte de alguns. Acabaria acima de tudo com a ambição e a ganância, que em nossos dias são as piores tentações na esfera política. É utópico, mas seria muito bonito que homens ou mulheres de bem enxergassem além do cifrão e com isso percebessem o potencial que existe quando alguém, sem nenhum interesse alheio, se coloca ao inteiro serviço do outro ou do bem comum. Como isso ainda é exceção ou até mesmo não é possível, pelo menos que haja então uma disposição para a reflexão sobre um novo pensar político para que, quem sabe, numa boa perspectiva, tenhamos, nos mandatos posteriores, uma nova postura política onde homens e mulheres terão verdadeiras atitudes políticas, saberão criar leis e farão valer as que já existem com arte e ética que o povo que os confiou merece.