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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009







Uma nova proposta de releitura de Lucas 24, 13- 35

Jessé Moreira Lopes

Certa vez um grupo de moradores de uma pacata cidade que estava vivendo diversas situações de morte, já quase sem perspectivas de sinais de vida (ressurreição) (Lc24,20-24) descobriu que se quisesse poderia viajar em busca de algo mais para que a comunidade em que vive pudesse se desenvolver e, de uma vez por todas, resolver os problemas que infelizmente estavam se tornando comuns, corriqueiros, e que acima de tudo não permitiam aos moradores enxergar mais além do que podiam (metafísica).

Chega o dia da tão esperada viagem! Surge então uma moderna condução (que não estava superlotada) e nela os viajantes conseguiram enxergar de modo confuso (Lc24,16) o nome do seu destino: AIRECRAP. Como num passo de mágica, com muito conforto, a comitiva chega ao seu destino. Com caneta e papel nas mãos, os integrantes começaram a observar cuidadosamente a cidade para que, ao retornarem, repassassem para os que ficaram a experiência vivida.

Já desde o início repararam a ausência de quebra molas e uma placa educativa no início da cidade explicava o motivo: “AQUI SE PRESERVA A VIDA DE FORMA CONSCIENTE SEM PRECISAR DE COAÇÃO”. Estava tão boa a experiência que logo desceram da condução e começaram a caminhar para apreciarem tudo cuidadosamente, passo a passo, sendo que um guia se colocou no meio deles (Lc24,15).

A ausência de guardas também foi notada e ao guia foi perguntado o motivo e como isso era possível. Ele respondeu que certamente a comitiva não havia entendido a placa educativa que leram, no início da cidade.

Com o decorrer da visita a comitiva percebeu que havia escolas adaptadas e adequadas a todos pois, na verdade, todas eram inclusivas. Observaram também saneamento básico satisfatório e política de incentivo às varias associações, o que segundo o guia da comitiva, evitava a ocorrência de uma “política de favorzinhos” que impede o cidadão de lutar por seus direitos violados ou negligenciados.

Também foi notável à comissão a existência de poucos postos de saúde, apesar de constatarem a existência de um conceituado e equipado hospital. Perguntado pelo motivo de tão poucos postos de saúde, o guia respondeu que nesta cidade A DOENÇA NÃO É UMA PRIORIDADE, MAS SIM A SUA PREVENÇÃO. Poucos passos a mais os visitantes ficaram encabulados pelo tanto de hortas comunitárias ou familiares existentes. O guia ameniza o espanto dizendo que elas são o carro chefe para prevenção citada acima. Disse também que nesta cidade a agricultura é a prioridade das prioridades, pois compreendem muito bem que A SAÚDE ENTRA PELA BOCA. Disse ainda que os avanços que a comitiva percebeu durante a visita nesta cidade só foram possíveis graças à organização de todos, à partilha e à coragem de fazerem PARCERIA. E começando por seus antepassados (leitura histórica da caminhada da comunidade) o guia relatou à comitiva os passos necessários e importantes que a comunidade deu para se chegar aos sinais de vida vividos pela comunidade hoje(lc24,27) e ainda afirmou que às vezes é necessário que a comunidade passe por certos momentos para que a mesma se uma num só objetivo e promova os sinais de vida necessários. Falou ainda da importância da parceria para a comunidade com todos os setores possíveis, principalmente com os órgãos governamentais, sem que necessariamente se perca sua identidade ou se comprometa (submeta) a certos “compromissos políticos” que algum setor público ou privado venha por acaso induzir. O guia ainda estava falando quando alguém da comitiva o interrompeu dizendo que aquela cidade era modelo para as demais. Por sua vez o guia respondeu que aquela cidade não era modelo para nenhuma outra, pois modelo obedece a certos estereótipos, mas que orgulhosamente esta cidade era apenas uma ALTERNATIVA.

O último compromisso da comitiva era o de participar de uma palestra com o tema PARCERIA, proferida por Carmem Barreira, que é Presidente do Centro de Voluntários do Distrito Federal. Ao ouvi-la perceberam que:

* é momento de somar esforços, conhecimentos e recursos.

* a busca de parcerias é a solução para vários problemas da sociedade, mas ela tem sido pouco explorada.

* é difícil cada parceiro manter sua identidade e saber de suas responsabilidades e como trabalhar em comum sem perder a identidade própria.

* a parceria é uma arte que envolve habilidade e talento. Que ela pode ser feita em apenas um projeto ou em uma ação continuada. O importante é o desejo de somar forças e recursos para poder mais e nunca esquecer que o objetivo é a transformação da realidade, buscando justiça social. A união de forças permite a transformação social.

* a parceira se inicia em quatro etapas: identificação, valorização, negociação e implementação. A estas se seguem também os passos necessários: definir estratégias e objetivos, avaliar parceiros em potencial, avaliar as possibilidades e o que se oferece em troca, definir a oportunidade, avaliar o impacto da ação conjunta, planejar a integração e implementar a integração.

* é necessário examinar oportunidades de parcerias ou alianças estratégicas com objetivos claros e definidos, saber o porquê e como queremos criar esses vínculos.

Terminada a palestra, que na realidade foi uma partilha do saber, houve também uma confraternização que consistiu no PARTIR e REPARTIR do fruto do trabalho de cada um, e tudo com muita consciência de doação e simplicidade. Este momento foi muito importante para a comitiva, pois, a partir do mesmo, muitas coisas se tornaram claras e óbvias aos mesmos (Lc 24,30-31).

Chegada à hora de voltar à comunidade de origem, todos estavam a esperar a condução que pontualmente apareceu. Tratava-se da mesma condução, mas desta vez a comitiva pode ler claramente o destino escrito nela: PARCERIA. A condução era a mesma, mas a visão de sua tripulação já não era a mesma. O voltar trazia algo novo, pois perceberam que aquela condução leva todos ao mesmo e inevitável destino da parceria que até então passou a ser compreendida como uma alternativa que pode levar à transformação da condição de vida em que cada um se encontra ou está submetido. Um integrante da comitiva chegou até a perguntar: não parecia que o nosso coração estava a arder enquanto íamos no caminho em busca de alternativas de transformação para nossa comunidade? (Lc 24,32).

Chegando ao destino final (a comunidade ), todos desceram com a certeza de que havia muito o que fazer e a partir de então passaram a propagar a boa nova e convencer a muitos de que era hora de fazer muitas coisas acontecerem tendo em vista o novo vigor ou novas perspectivas de vida para a comunidade (Lc 24,33-35).