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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Escatologia

Três inquietações sempre foram motivos de preocupação para o homem: a origem do mundo (cosmo), a sua própria origem (ser humano) e o transcendente. Quanto à última, refere-se acima de tudo ao fim último do homem. Como filosoficamente foi dito “se duvido existo”, a inquietude do ser humano quanto aos três questionamentos citados o faz existir.

Há para os questionamentos sobre o fim último do ser humano uma ciência com o nome de ESCATOLOGIA, que é parte da teologia e filosofia que trata dos últimos eventos na história do mundo ou destino final do gênero humano, comumente chamado de fim do mundo.

As concepções a respeito do fim do mundo mudam de acordam com as concepções culturais e religiosas ou até mesmo de acordo com as versões ou traduções bíblicas. A maioria das religiões monoteístas ( crença em um só Deus) prega que seus membros “escolhidos” ou “valorosos” de uma fé verdadeira serão poupados ou livrados do julgamento prometido e da fúria de Deus. Todos vão para o Paraíso e habitarão na glória com o Pai. Outras religiões politeístas ( crença em vários deuses) pregam um destino individual após a morte ou um ciclo de renascimento. Quanto ao cristianismo, a concepção do fim está baseada nas próprias palavras de Cristo em MT 24 e 25; Mc 13; Lc 21. Nestas citações, Jesus faz longos comentários a respeito de sua segunda vinda ou advento. Ele salienta que além do Pai ninguém sabe quando isso acontecerá. Depois de Cristo, apóstolos e seguidores pregavam de maneira responsável sobre o fim dos dias. Exemplo disso temos em S. Paulo, quando o mesmo aconselha alguns cristãos em 2Tes 2, 1-2.

Levados para o campo científico ( com as teorias existentes), os questionamentos citados no primeiro parágrafo tornam-se para muitos óbvios e aceitáveis. Porém, tratar sobre o tema fim dos tempos não é tão simples assim. Por ignorância cultural e bíblica são tecidos vários comentários e teorias que muitas vezes não condizem com a verdade e por isso mesmo entende-se de forma errônea, aterrorizante e mentirosa o momento tão especial e agradável do encontro de Jesus com os seus.

O não conhecimento ( e por isso a ignorância) sobre o tema proposto produz muitas especulações e isso não faz bem para quem anseia por uma resposta. Hoje muitas religiões e seitas se ocupam em pregar o fim do mundo (marcam até mesmo o dia e hora), assim como muitas vezes em suas celebrações se ocupam em falar mais em satanás e seus feitos do que mostrar Jesus como opção definitiva e única para se evitar qualquer tipo de tentação. Corre-se o risco de pregar tanto o fim e esquecer o meio eficaz ( que é Cristo) necessário para que este encontro final seja experimentado como um presente do Pai para todos aqueles de boa vontade. Quando a Boa Nova não é anunciada ou é anunciada de forma equivocada, a ignorância (ausência de conhecimento) prevalece e dá margem para comentários e compreensões não cabíveis a respeito do fim do mundo, muitas vezes confundido com juízo final. Por esta razão, infelizmente, prega-se mais o medo, tremor, etc. do que a verdadeira confiança e temor a Deus.

Este mês, quando se celebra o Mês da Bíblia, ocasião propícia para reforçar e afirmar com maior confiança que a Palavra de Deus é a vida da Igreja cabe de antemão afirmar categoricamente que em nenhum momento a Palavra de Deus tem por objetivo único e exclusivo mostrar o fim do ser humano, muito menos de forma trágica como muitos pregam por aí. Pelo contrário, A BÍBLIA É PROFUNDAMENTE UMA HISTÓRIA DE AMOR que naturalmente possui princípio e fim. Sendo história de amor por excelência, ela dá PRIMAZIA À VIDA. Vida plena para que a humanidade tenha um final feliz “ com Cristo, por Cristo e em Cristo”.

Quanto às inquietações citadas no primeiro parágrafo, deve-se afirmar com certeza que ninguém está proibido de suscitá-las. Aliás, a boa inquietação nos livra do comodismo, conformismo e de uma vida parasítica. Também não dá para negar os acontecimentos bíblicos escatológicos. Seria um grande erro, principalmente contra a própria Palavra de Deus. Erro maior, porém é ignorar que a Palavra de Deus nos convida a orar e vigiar para que estejamos preparados para o grande encontro com Cristo que, longe de ser de terrores, misérias, destruição e fins catastróficos, será o início de uma eterna e feliz convivência de uma história de amor com Cristo. Vendo por este ângulo pode-se afirmar com certeza que desde já podemos saborear desta vida que nos está sendo reservada, fazendo exercícios constantes de amor, adequando nossa prática à prática do Evangelho. Portanto, fica aqui o convite para este mês da Bíblia: deixemo-nos inquietar pela Palavra de Deus que é vida para a Igreja! Com certeza teremos visão muito maior da realidade, do mundo, das concepções, da esperança... Quem sabe assim, num só coro, poderemos cantar com sinceridade de coração que “ Jesus Cristo nos deixou inquietos com as palavras que Ele proferiu” e que “nunca mais pudemos olhar o mundo sem sentir aquilo que Jesus sentiu”.

Jessé Moreira Lopes



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ERA UMA VEZ...

Jessé Moreira Lopes

Faz parte de nossa herança literária o enunciado acima. Geralmente é usado para chamar a atenção de quem se propõe a uma boa leitura. Usado em histórias infantis, basta começar com “Era uma vez...” e como num toque de mágica, tem se a atenção do público alvo – as crianças. Essas palavras se tornam ainda mais mágicas quando notamos que não só as crianças atendem a este enunciado, mas também os adultos. E é justamente com o propósito de chamar a atenção de todos é que este artigo se inicia.

Era uma vez a poesia. Saudade do tempo em que a poesia era o eco da intensidade do verdadeiro amor. Época em que o “amante” não tinha tempo para divagar seu pensamento em composições descomprometidas, de cunho sensualista e “genitalista”. O canto poético era fruto de um profundo sentimento interior que perfazia todo o ser do autor. A partir daí podemos então compreender o motivo de alguém cantar a necessidade de ladrilhar a rua para o seu amor passar, caso a rua fosse dele. Entende-se também a saudade de alguém que está na praça observando que tudo era igual, mas estava triste porque não tinha o seu bem perto dele. Dá para entender alguém que “estava à toa na vida” e é chamado por seu amor “pra ver a banda passar cantando coisas de amor”. Dá prá entender os tempos bons da “Saudosa Maloca”.

Era uma vez o amor. Amor sem preconceito, sem genitalismo. Amor disseminado como fruto das boas experiências vividas. Amor ágape do bom relacionamento entre homem e mulher, entre homem e homem, entre mulher e mulher sem as conotações pejorativas: será que ele é? Será que ela é? Será? Será?

No tempo do “era uma vez” tais perguntas não eram concebíveis, pois o preconceito era uma exceção, ainda não havia virado regra. Sendo assim, é possível compreender o fascínio e o amor incondicional do cantor por Chico Mineiro, mesmo sem saber que eram irmãos. Dá para entender realmente que o sentido puro do amor fará necessariamente com o poeta cante com toda certeza de que “foi Deus que fez você somente para amar, só para amar”.

Era uma vez a necessidade. Necessidade de mudar o tempo verbal, sem mudar a essência do amor. A necessidade de resgatar o romantismo de outrora e perpetuá-lo na época do para sempre, mesmo que para isso seja necessário cantar que é “amante à moda antiga”. Mesmo sabendo que para isso será preciso vencer os contratempos, os monstros, os violões que fazem de tudo para que o amor não tenha êxito e a nossa história se torne infeliz. Mas, também sabe-se pelo poeta que “tudo vale a pena...” Na certeza do vale a pena, comecemos com gestos concretos como uma boa leitura. Leitura de bons livros que com fluídos que embriagam, nos abrem para a realidade de que ainda vale à pena a embriaguês do amor. Amor que vence barreiras, que supera, espera e sempre alcança e que acima de tudo está de braços abertos para o dar sem medida. Do amor que irá acender as chamas de tantos casais que não acreditam mais em pequenos gestos de amor e por isso têm seus matrimônios corroídos pela ferrugem da mesmice e pela frieza dos encontros que produz os desencontros. Em razão desses e outros motivos, faz-se necessário, em nossa história, a mudança do tempo verbal para resgatar o encanto pelo outro. Sim à necessidade de mudar, sabendo que esta mudança nos proporcionará ver na flor, no sorriso de uma criança e na experiência do idoso, a concretude do amor. Mudança que nos dará sabedoria para reconhecer que nossa história começa sim com o “era uma vez”, mas que não pode ficar só nisso, pois seu ponto culminante está no “foram felizes para sempre”.