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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A NECESSIDADE DO BEIJO

Mais uma vez este canto desta página retoma à Idade Média. Época marcada por uma classe enriquecida pelo comércio, apogeu da burguesia. Época também das Cruzadas que favoreciam a fama e a possibilidade de se tornar um grande arauto do rei. Este período também foi marcado pelo grande número de pobres que, assim como em nossos dias, não tinham vez nem voz diante de uma sociedade mercantilista. Acentua-se aqui a doença mais temida nesta época - a lepra. O leproso era colocado totalmente à margem da sociedade e o contato com o mesmo era inadmissível. Como é do conhecimento de todos, surge neste cenário Francisco de Assis que, num primeiro momento, fica fascinado pelas propostas burguesas, mas rompe com as estruturas e torna-se um seguidor radical das propostas evangélicas.
Não foi fácil para Francisco, assim como não será para ninguém que pretende romper com as estruturas e tabus da sociedade. Francisco mostra que vale a pena quando diz: "Depois que beijei o leproso, aquilo que me parecia amargo tornou-se doce". Para ele foi o "grande beijo", pois não foi nada aparente,externo. Foi algo que aconteceu como consequência de uma profunda conversão evangélica.
Muitos anos antes de Francisco aconteceu também um beijo que infelizmente não produziu vida - o beijo de Judas. Este beijo não produziu efeito positivo nenhum na vida de Judas. Pelo contrário, trouxe dor, sofrimento, arrependimento... Foi o beijo que tinha tudo para ser doce, mas na verdade tornou-se amargo.
Hoje a sociedade está sedenta de um grande beijo! Os desafios são enormes. A urgência de se quebrar barreiras e estruturas torna-se inevitável. A grande lepra da sociedade hoje, que é sem dúvida o PRECONCEITO, tem que ser erradicada. Trata-se de uma tarefa árdua. O simbólico beijo nos leprosos de hoje é difícil de acontecer, mas é necessário. Aqui é bom lembrar que, filosoficamente falando, necessário é tudo aquilo que não pode ser de outro modo.
Para ilustrar melhor o que este artigo quer enfatizar,faz-se necessário lembrar um fato verídico ocorrido em uma cidade mineira há poucos anos atrás. A igreja já estava cheia e tudo estava pronto para a celebração da missa dominical. Antes porém, entra um mendigo com roupas bem sujas e com cheiro não muito agradável. Ele senta perto de um e de outro várias vezes e, em todas, as pessoas saiam de perto dele. O horário do começo da missa já estava atrasado e os "fiéis" já estavam a falar do padre. Quanto ao mendigo, continuava a sentar-se perto de um e de outro e a rejeição era contínua. Num dado momento, o "mendigo" se dirigiu para a sacristia, trocou de roupas e começou a celebrar a missa, para ao espanto de todos. O suposto mendigo era um frei que estava visitando a paróquia e preferiu se apresentar assim para perceber a reação e discriminação daqueles "fiéis". Quanto á homilia que este frei fez na missa deste dia todos podem imaginar.
No caso acima, o discriminado era apenas um disfarce mas no nosso cotidiano, seja em nossos bonitos templos ou no nosso agir na sociedade, a discriminação acontece de forma real. Mendigos, pobres, prostitutas, homossexuais, alcóolatras, pedintes, andarilhos... estão sempre entre nós e pouco se faz para reverter as situações em que os mesmos se encontram. Às vezes ficamos até "indignados" e "revoltados" quando sabemos de notícias como a de que alguém colocou fogo em um índio ou em um mendigo mas esquecemos que, por causa de nossa omissão, igualmente " "colocamos fogo ou matamos" ( e a língua é um instrumento danado para isso) muitas pessoas que estão do nosso lado e que às vezes necessitam a princípio apenas de nossa atenção. O mal maior é que muitas vezes tecemos inúmeros comentários preconceituosos durante a semana e depois de sucessivas faltas de atitudes cristãs, coroamos tudo isso com nossa "participação" na missa dominical ou culto, sem entrar em muitos detalhes de que repetidas vezes sufocamos a palavra de Deus debaixo do sovaco e vamos contentes para a igreja sem nenhum peso de consciência. Sabemos claramente que a igreja enquanto templo é Casa de Deus e lugar propício e privilegiado para o encontro com Deus. é o lugar onde os cristãos se reúnem para celebrar a sua prática cristã durante a caminhada que fez durante a semana. Nessa caminhada semanal necessariamente muitos encontros agradáveis, solidários, construtivos, edificantes devem ter acontecidos, pois caso contrário, é em vão celebrar a fé no templo. Como celebrar a fé no templo se durante a semana o Templo do Espírito Santo presente na vida de cada pessoa é profanado?
Voltando ao segundo parágrafo, reforça-se aqui a necessidade de romper com as estruturas, começando por gestos simples mas cheios de significação para o irmão. Um sorriso, um aperto de mão dado com verdadeira intenção e atenção, um abraço dado com sinceridade, um interessar-se com o sofrimento do outro pode fazer a diferença. Nunca esqueçamos de que "gesto feito com amor também é oração". O próprio Cristo nos impulsiona para a prática, para os gestos quando diz "vá e faça o mesmo". Quando começar? Agora mesmo começando por um simbólico beijo. Este beijo não pode ser dado porque o padre ou pastor falou ou pediu na igreja. Deve ser dado de modo espontâneo assim como espontâneo é o amor de Deus por nós que de tal forma nos amou primeiro. Se isso de fato acontecer, não duvide se o que antes era amargo se tornar doce, pois será a ação do próprio Deus da vida que estará acontecendo na vida de cada um. Isso tem nome: AMOR . Saberemos, por fim, que "Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele."