Muito obrigado pelo acesso!

A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

terça-feira, 19 de maio de 2009

ATUAIS SEPULCROS CAIADOS






Viver apenas de aparência pode ser um dos maiores impedimentos para que as pessoas sejam felizes como deveriam. Isto acontece em todas as esferas sociais. As pessoas comem muitas vezes o "pão que o diabo amassou" para mostrarem que são uma coisa que não são. Quando se dão conta desse grande mal, pode ser tarde demais e o que poderia ser evitado com o simples fato de se aceitarem como são, passa a ser tratado como doença e aí, os donos de drogarias que agradecem.
Pior que a aparência acima, só mesmo a APARÊNCIA RELIGIOSA. Vive-se num faz de conta espiritual e mais tarde o vazio torna-se inevitável e quando menos se percebe, cai-se no que poderia ser chamado de "depressão espiritual". Este mal é pior porque a pessoa nunca se dá conta de que está "doente" ou mesmo não quer perceber seu mal e por isso transfere seu vazio espiritual a todos e a tudo ( às vezes culpa até Deus), mas nunca a si mesmo. Como a pessoa na delinquência fica vulnerável, acontecem as mudanças que podem "salvar" sua situação e com isso, a conversão repentina para outra religião. Pode-se questionar aqui o proselitismo de alguns que aproveitam da delinquência das pessoas para encherem igrejas, mas não é objeto de preocupação dessa matéria neste momento.
A vivência aparente dos preceitos religiosos é condenada de forma acirrada por Jesus quando Ele fala que as pessoas que não o louvam com sinceridade de coração são verdadeiros sepulcros caiados, isto é, estão brancos por fora mas por dentro só há morte e podridão (Mt 23,27).
Dentro da vivência religiosa há uma grande dificuldade de entender o simbólico como um dos meios de se manifestar a crença. Os símbolos deixam transparecer os sinais visíveis de uma FÉ VIVENCIADA que é baseada em sinais que não visíveis aos olhos, mas ao coração de que a pratica com sinceridade. Daí pode-se dizer que quem não vive sua fé de forma autêntica e comprometida, apropria-se dos símbolos cristãos de modo indevido somente para mostrar de forma aparente (exterior) a sua "religião". É interessante que as mesmas falhas que aconteciam no tempo de Jesus e condenadas insistentemente por Ele (Mt 15,7-9) continuam a acontecer no nosso meio, até mesmo com maior intensidade. São as atitudes dos escribas e fariseus que se fazem presentes a cada momento, toda vez que a aparência religiosa sobressai.
O leitor pode estar neste momento se perguntando: quando é que vivemos esta aparência religiosa? A resposta pode ser complexa e daria até para se tornar um grande tratado, mas para satisfazer algumas expectativas, pode se dizer que toda vez que deixamos de nos embebermos da verdadeira essência do Espírito Cristão e degustá-lo contentando-nos apenas com "aperitivos religiosos casuais" ( frequência à igreja somente por ocasião do batismo, primeira comunhão, crisma, casamento...), com certeza nossa religião se torna aparente, pois não traz compromisso nenhum. Toda vez que usamos de artifícios religiosos ou propaganda enganosas para escondermos nossa falsa vivência cristã, estamos apenas sendo aparentes. Sabemos que o cristão não é mais nenhuma criança para ficar brincando de esconde-esconde.
Baseado no parágrafo anterior, dá para afirmar que não basta trazer no peito um crucifixo. Isto qualquer pessoa pode fazer. Mas compreender o processo de rendenção e interiorizá-lo não é fácil. Trazer no peito uma estampa de Maria é fácil. Difícil é "ter peito" para enfrentar e vivenciar o que ela vivenciou. É fácil colocar adesivos nos veículos com dizeres como: " Padre Paraíso é do Senhor Jesus". Realmente isto é uma verdade incontestável, pois não só Padre Paraíso, mas toda a terra é do Senhor Jesus e todos têm que proclamar que Jesus é Senhor para a glória de Deus Pai (Fp 2,11). Difícil é se sentir do Senhor Jesus e agir como tal. É fácil colocar nos carros dizeres como: "Verdadeiros adoradores". Difícil é adorar a Deus em Espírito e Verdade ( Jo 4,23) diante de tanto mau que causamos à obra criada por Ele e sua imagem e semelhança - o próximo.

TAU



A própria palavra símbolo já traz em si sua importância. Simbólico é tudo aquilo que reúne, congrega dando significado específico que até dispensa explicação. Tudo o que não é simbólico é diabólico (divisão, dispersão). O que acontece é que muitas vezes usa-se algo simplesmente por usar, por modismo, prevalecendo a ignorância quanto ao significado e importância e responsabilidade de quem o usa. Isto acontece como, por exemplo, com o TAU (letra grega e símbolo do franciscanismo) que tem o significado de vitória. Poucos sabem mas muitos o usam.
Não resta dúvida nenhuma de que a fé tem que ser manifestada e propagada. Deve se usar de tudo aquilo que for para a edificação espiritual do cristão, principalmente diante da realidade que o mundo cada vez mais se torna secularizado. Apenas o que se cobra é a vivência real dos verdadeiros valores cristãos, que juntados aos símbolos, dará maior sentido à fé experimentada e concretizada em Cristo. Esta vivência nos dará condições de um perfeito louvor agradável a Deus e quem sabe, com convicção, poderemos cantar o refrão de uma das músicas de Padre Zezinho: "No peito eu levo uma cruz, no meu coração o que disse Jesus".


Jessé Moreira Lopes.

Professor Jessé Moreira Lopes

LOGORREIA

O termo acima está isento de acento agudo conforme as novas regras ortográficas. Isto pode até servir neste momento de propósito, visto que neste artigo não será acentuado a forma gráfica, mas a incidência deste termo no nosso dia-a-dia.

Trata-se do termo grego que nos dá o sentido de discurso mal feito; falatório sem sentido; discurso cansativo proferido por alguém que não sabe o que quer dizer. Em síntese, discurso sem coerência.

Sem dúvida pode-se afirmar que se trata de um grande mal. Padres, pastores, líderes religiosos, leigos engajados... devem tomar cuidado e evitar a incidência do termo acima em seus discursos, homilias, pregações. É certo que nem todos têm o dom da retórica (discurso bonito, com idéias organizadas), assim como é correto afirmar que muitas vezes a melhor pregação parte do testemunho. Tem muita gente que não nos fala nem uma palavra, mas o seu proceder ou exemplo (testemunho) fala mais alto do que qualquer discurso. Isto significa que o discurso se torna eficaz se for acompanhado de uma prática verdadeira. A prática deve nortear o nosso falar para que não haja incoerência. Cristo foi bem prático: diante dos conflitos ou complexidade dos fatos agia de modo coerente, eficaz. Frente uma situação (conflito), iluminava-a com a Palavra do Pai e logo após dava a solução ( curava, perdoava, devolvia a vida). Agiu desse modo com a morte de Lázaro, com os leprosos, com a mulher adúltera. Imaginem Jesus diante da mulher adúltera! Imaginem se ele ficasse só no discurso bonito e bem floreado, sem chegar a lugar nenhum! Com certeza a mulher adúltera seria apedrejada e a situação dela e de outras tantas não teria mudada.

Pensando na prática evangélica é que a Igreja lança este ano mais um desafio: afirma que "a paz é fruto da justiça". Ela não só afirma mas quer que a justiça seja prática comum entre os cristãos. Ao proclamar que a justiça tem que ser comum entre os cristãos, a Igreja quer que tal apêlo seja algo constante e prático não só no período da Campanha da Fraternidade. Não basta apenas sensibilizar as pessoas ou sensibilizar-se. Tem que se sair dos discursos infundados, uniformes, "impecáveis" que não passam de logorreias. O importante é o fazer acontecer, como o próprio Geraldo Vandré cantava: " quem sabe faz a hora ( faz agora) não espera acontecer". Assim sendo, não é preciso que haja injustiça ou guerra para que nos lembremos da importância da justiça e paz. O importante é saber que se houver a prática verdadeira do Evangelho em nossa vida, justiça e paz serão tão comuns em nossa vida como o ar que respiramos, com apenas uma diferença: sem nenhuma impureza.

Jessé Moreira Lopes

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Reconstruir a Igreja




Reconstruir a Igreja

Conta-se que um jovem de nome Francesco Bernadone (João Batista de nascimento), na idade média, de uma vida muito devasta, poderosa, burguesa, passou pelo processo de conversão e logo no início teve um sonho. Nele, viu uma igreja que estava em ruínas e precisava ser restaurada. Logo em seguida, deduziu que o sonho era uma visão e com esse pensamento começou a reformar uma pequena igreja da região. Conseguiu adeptos para essa façanha. Não demorou muito, o nosso reformador em questão, que mais tarde fica conhecido como Francisco de Assis, descobriu que a igreja que precisava ser restaurada não era a edificada por homens e com materiais como pedra, areia, cimento... A igreja do sonho referia àquela que precisava de real conversão para a humildade, para a pobreza, para a simplicidade e para a verdadeira contemplação. Com isso Francisco revolucionou sua época e hoje é lembrado como marco principal na história da Igreja e da humanidade.

Independente de qualquer denominação religiosa, o engano de Francisco pode ser também o nosso engano hoje. Padres, pastores, líderes religiosos, leigos engajados... correm o risco de se matarem de trabalhar em nome da "construção do Reino" e na avaliação final desse trabalho, uma pergunta pode inquietar: que reconstrução foi feita? A do verdadeiro Espírito? A solidez da reforma levou em consideração os fatores primordiais: justiça e paz?

Nossas igrejas estão cheias. Basta passar em frente de uma para constatar essa realidade. Em número ninguém pode reclamar. Em essência, cabem certos questionamentos: onde está o nosso "novo modo" de ser igreja? Onde está o nosso senso de justiça? É possível chamar o outro de irmão e ignorar sua real situação (desprovido das necessidades básicas: alimentação, moradia, saúde, educação...)?

Reconstruir não é fácil. Não cabe a nós a elaboração de um outro ser, mas trabalhar a obra de Deus. O que Deus faz ou constitui é perfeito, mas Ele conta com nossa participação na sua obra. Multiplicar igrejas, por exemplo, não é reconstruir e nem edificar um verdadeiro templo para Deus. A edificação necessária é a do TEMPLO INTERIOR. Para que ela possa acontecer é preciso haver mudança de mentalidade. Isso quer dizer que minha visão religiosa tem ir além das paredes do templo matéria no qual congrego. Isso quer dizer também que se minha igreja é sinônimo de igreja de movimento, está na hora de pensar em uma igreja em movimento. Se minha igreja se sente detentora do Espírito Santo (como se isso fosse possível), sendo que até em línguas estranhas fala, está na hora de falar uma linguagem só: a linguagem do amor. Este amor está ligado diretamente a Deus e ao próximo. Se isso acontece com o religioso, certamente há justiça no seu agir e onde há justiça com certeza há paz.

A Igreja templo material (instituição, hierarquia...) sem a igreja viva que deve estar em cada membro, facilmente vai à ruína, pois não estará fortificada e edificada na ação verdadeira do Espírito Santo de Deus. Neste modelo de "igreja" cabe qualquer coisa (interesse próprio com enriquecimento ilícito, charlatanismo, curandeirismo...) menos a ação de Deus.

Francisco quis e conseguiu evitar que o nome Igreja caísse na banalização. Começou por si mesmo através de uma conversão radical ao Evangelho. Depois de tudo que fez ele ainda disse: "irmãos vamos começar, pois até agora nada fizemos". Sendo assim, fica também para nós um convite: vamos reconstruir nossa igreja, pois pode ser que até agora pouco ou nada fizemos. Assim como Francisco, somos chamados a acordar do nosso sonho individual e a termos coragem de sonhar juntos, pois como diz uma certa música: "sonho que se sonha, só pode ser pura ilusão, sonho que se sonha juntos é sinal de mutirão". Tenhamos coragem então de sonhar em mutirão procurando perceber, na vontade de Deus, a reconstrução transformadora necessária e com certeza, agindo assim, justiça e paz serão os principais frutos que iremos colher.

Jessé Moreira Lopes.