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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Previsões para 2010... 2014... 2016

Jessé Moreira Lopes





O título deste artigo certamente chama atenção de muitos leitores. O motivo é simples: geralmente, no fim de cada ano, é comum a imprensa falada e escrita oferecer ao seu publico alvo as previsões para o próximo ano. Desse modo, recorre-se às cartas, tarôs e a vários outros que se dizem videntes. Na verdade trata-se de informações e expectativas infundadas que não levam a lugar nenhum. Quanto às preocupações com o dia do amanhã, a Bíblia é clara quando diz que não nos cabe conhecê-las (MT 6, 31-34; Tg 4,14-17).

Há uma confusão muito grande entre “previsão do futuro” e “profecia”. Aquele que profere profecias é profeta. O fato de ser profeta não tem nada a ver com previsões. O termo profeta vem do hebraico nabi que quer dizer “o que é chamado”. Com a tradução da Bíblia para o grego, o termo profeta passou a ter o significado de “falar em lugar de ou em nome de”. Assim, o profeta é um porta-voz. É aquele que fala em nome Deus. Ele se preocupa com a vida presente e com suas conseqüências acima de tudo. O profeta faz uma leitura da realidade (acontecimentos atuais) à luz da Palavra de Deus e denuncia tudo aquilo que está contra a Palavra. Ele não faz nenhuma previsão, mas ao denunciar anuncia as conseqüências da dureza de coração do ser humano.

Baseado no sentido primeiro e verdadeiro da palavra profeta pode-se afirmar neste o que pode acontecer ao Brasil ou mundo se as pessoas não abrirem os olhos e aceitarem pacificamente tudo aquilo que lhes é imposto, principalmente através da mídia. Sem necessidade nenhuma de ser um vidente, pode-se perceber com clareza o futuro próximo, visto que as perspectivas não são boas: o desmatamento continuará e o eucalipto tomará conta de nossas regiões; o percentual de pobreza aumentará devido à falta de uma política justa e igualitária; em nome da globalização muitas coisas serão permitidas e com isso a qualidade de vida no Brasil e no planeta será comprometida; desemprego, fome... Serão infelizmente realidades constantes. O pior é que tudo isso acontecerá sob nossos olhos que, ludibriados, não enxergarão.

O presente artigo não quer passar aos leitores uma visão ou perspectiva negativa. A intenção é mostrar, por exemplo, que uma simples participação na copa de 2010 ou o simples fato de sediar a copa de 2014 ou as olimpíadas de 2016, pode tirar a atenção das pessoas de tal forma que outros assuntos de suma importância podem passar despercebidos e, diga-se de passagem, isso é feito de forma proposital. Num país que tem o esporte como uma das poucas opções de lazer ou diversão, facilmente esta opção é incentivada de tal forma, virando fanatismo. Aproveitando as oportunidades, o “sistema” impõe certos “valores e prioridades” com ativismo proposital, de tal forma que muitas discussões importantes que podem fazer a diferença no que diz respeito aos direitos das pessoas são ignoradas. Na verdade a reflexão, algo tão importante para a mudança no pensar sócio-político, não é fomentada. As pessoas têm poucas oportunidades para refletirem antes de abraçarem uma causa ou projeto. Quem sabe este artigo não é uma delas?

É preciso ficar claro que o presente texto não tem por objetivo coibir, inibir ou proibir ninguém de torcer ou vibrar com sua seleção, num momento de descanso ou lazer. O que se propõe neste é que se faça uma reflexão, quando algo está sendo muito veiculado e pouco questionado. Não se questiona os bilhões de reais que serão gastos para se sediar uma copa ou olimpíadas?Diz-se que haverá retorno. A favor de quem? Não seria paradoxo gastar os bilhões para realização da copa de 2014 e olimpíadas de 2016 e paralelamente surgirem campanhas com Criança Esperança, Teleton...? Por que tanta ênfase e empenho sem medida para se sediar eventos esportivos de tamanho porte? Coincidência ou não, todos os eventos serão em ano eletivo. Sabemos que o processo eletivo é longo. Não se resume só no ato de votar. Muitas decisões importantes, articulações políticas, alianças, convenções serão realizadas e infelizmente nestes momentos muitos estarão envolvidos em torcer e com certeza os políticos de carreira ou profissionais, assim como boa parte dos veículos de comunicação estará incumbida de distorcer o verdadeiro panorama político brasileiro, dando maior ênfase “àquilo que o povo quer” – as decisões esportivas. Quanto às decisões políticas, estas já estarão todas formuladas e “bem” pensadas por um pequeno grupo e ao grande grupo (população), caberá apenas votar e, infelizmente, boa parte o fará de modo alienado.

Não é preciso ser adivinho para proferir que alienação traz como conseqüência a subjugação. Quando o povo é subjugado, fica à margem de sua própria história, pois dele é tirado seu direito primordial – ser sujeito dela. O que é preciso é fazer valer de uma vez por todas o verdadeiro sentido de ser profeta e com coragem anunciar em nome de Deus que Ele quer que o povo tenha verdadeiro sentido no seu viver, sentido este que é sinônimo de vida plena no trabalho, nas decisões políticas, na organização social e econômica, no direito ao lazer e diversão... O profeta é sempre iluminado, pois sua iluminação vem da palavra de Deus e tendo força nesta Palavra que liberta, denuncia tudo aquilo que é contra a vida plena. Portanto fica aqui um convite e desafio: tenhamos coragem de sermos profetas para vivermos como Deus quer. E o que Ele quer é simples: que todos vivam na abundância dos bens e acima de tudo, em espírito e verdade.

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