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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ERA UMA VEZ...

Jessé Moreira Lopes

Faz parte de nossa herança literária o enunciado acima. Geralmente é usado para chamar a atenção de quem se propõe a uma boa leitura. Usado em histórias infantis, basta começar com “Era uma vez...” e como num toque de mágica, tem se a atenção do público alvo – as crianças. Essas palavras se tornam ainda mais mágicas quando notamos que não só as crianças atendem a este enunciado, mas também os adultos. E é justamente com o propósito de chamar a atenção de todos é que este artigo se inicia.

Era uma vez a poesia. Saudade do tempo em que a poesia era o eco da intensidade do verdadeiro amor. Época em que o “amante” não tinha tempo para divagar seu pensamento em composições descomprometidas, de cunho sensualista e “genitalista”. O canto poético era fruto de um profundo sentimento interior que perfazia todo o ser do autor. A partir daí podemos então compreender o motivo de alguém cantar a necessidade de ladrilhar a rua para o seu amor passar, caso a rua fosse dele. Entende-se também a saudade de alguém que está na praça observando que tudo era igual, mas estava triste porque não tinha o seu bem perto dele. Dá para entender alguém que “estava à toa na vida” e é chamado por seu amor “pra ver a banda passar cantando coisas de amor”. Dá prá entender os tempos bons da “Saudosa Maloca”.

Era uma vez o amor. Amor sem preconceito, sem genitalismo. Amor disseminado como fruto das boas experiências vividas. Amor ágape do bom relacionamento entre homem e mulher, entre homem e homem, entre mulher e mulher sem as conotações pejorativas: será que ele é? Será que ela é? Será? Será?

No tempo do “era uma vez” tais perguntas não eram concebíveis, pois o preconceito era uma exceção, ainda não havia virado regra. Sendo assim, é possível compreender o fascínio e o amor incondicional do cantor por Chico Mineiro, mesmo sem saber que eram irmãos. Dá para entender realmente que o sentido puro do amor fará necessariamente com o poeta cante com toda certeza de que “foi Deus que fez você somente para amar, só para amar”.

Era uma vez a necessidade. Necessidade de mudar o tempo verbal, sem mudar a essência do amor. A necessidade de resgatar o romantismo de outrora e perpetuá-lo na época do para sempre, mesmo que para isso seja necessário cantar que é “amante à moda antiga”. Mesmo sabendo que para isso será preciso vencer os contratempos, os monstros, os violões que fazem de tudo para que o amor não tenha êxito e a nossa história se torne infeliz. Mas, também sabe-se pelo poeta que “tudo vale a pena...” Na certeza do vale a pena, comecemos com gestos concretos como uma boa leitura. Leitura de bons livros que com fluídos que embriagam, nos abrem para a realidade de que ainda vale à pena a embriaguês do amor. Amor que vence barreiras, que supera, espera e sempre alcança e que acima de tudo está de braços abertos para o dar sem medida. Do amor que irá acender as chamas de tantos casais que não acreditam mais em pequenos gestos de amor e por isso têm seus matrimônios corroídos pela ferrugem da mesmice e pela frieza dos encontros que produz os desencontros. Em razão desses e outros motivos, faz-se necessário, em nossa história, a mudança do tempo verbal para resgatar o encanto pelo outro. Sim à necessidade de mudar, sabendo que esta mudança nos proporcionará ver na flor, no sorriso de uma criança e na experiência do idoso, a concretude do amor. Mudança que nos dará sabedoria para reconhecer que nossa história começa sim com o “era uma vez”, mas que não pode ficar só nisso, pois seu ponto culminante está no “foram felizes para sempre”.

Um comentário:

Anônimo disse...

Amei o seu texto...gostaria de parabenizálo...