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A maior justificativa para a existência deste, está no fato de que sinto-me impulsionado a escrever e partilhar aquilo que de mais íntimo brota do meu ser. Acredito ser um dom que Deus me deu. Se algum dia este impulso me faltar, faça orações por mim, pois já estarei diante d'Ele.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Reconstruir a Igreja




Reconstruir a Igreja

Conta-se que um jovem de nome Francesco Bernadone (João Batista de nascimento), na idade média, de uma vida muito devasta, poderosa, burguesa, passou pelo processo de conversão e logo no início teve um sonho. Nele, viu uma igreja que estava em ruínas e precisava ser restaurada. Logo em seguida, deduziu que o sonho era uma visão e com esse pensamento começou a reformar uma pequena igreja da região. Conseguiu adeptos para essa façanha. Não demorou muito, o nosso reformador em questão, que mais tarde fica conhecido como Francisco de Assis, descobriu que a igreja que precisava ser restaurada não era a edificada por homens e com materiais como pedra, areia, cimento... A igreja do sonho referia àquela que precisava de real conversão para a humildade, para a pobreza, para a simplicidade e para a verdadeira contemplação. Com isso Francisco revolucionou sua época e hoje é lembrado como marco principal na história da Igreja e da humanidade.

Independente de qualquer denominação religiosa, o engano de Francisco pode ser também o nosso engano hoje. Padres, pastores, líderes religiosos, leigos engajados... correm o risco de se matarem de trabalhar em nome da "construção do Reino" e na avaliação final desse trabalho, uma pergunta pode inquietar: que reconstrução foi feita? A do verdadeiro Espírito? A solidez da reforma levou em consideração os fatores primordiais: justiça e paz?

Nossas igrejas estão cheias. Basta passar em frente de uma para constatar essa realidade. Em número ninguém pode reclamar. Em essência, cabem certos questionamentos: onde está o nosso "novo modo" de ser igreja? Onde está o nosso senso de justiça? É possível chamar o outro de irmão e ignorar sua real situação (desprovido das necessidades básicas: alimentação, moradia, saúde, educação...)?

Reconstruir não é fácil. Não cabe a nós a elaboração de um outro ser, mas trabalhar a obra de Deus. O que Deus faz ou constitui é perfeito, mas Ele conta com nossa participação na sua obra. Multiplicar igrejas, por exemplo, não é reconstruir e nem edificar um verdadeiro templo para Deus. A edificação necessária é a do TEMPLO INTERIOR. Para que ela possa acontecer é preciso haver mudança de mentalidade. Isso quer dizer que minha visão religiosa tem ir além das paredes do templo matéria no qual congrego. Isso quer dizer também que se minha igreja é sinônimo de igreja de movimento, está na hora de pensar em uma igreja em movimento. Se minha igreja se sente detentora do Espírito Santo (como se isso fosse possível), sendo que até em línguas estranhas fala, está na hora de falar uma linguagem só: a linguagem do amor. Este amor está ligado diretamente a Deus e ao próximo. Se isso acontece com o religioso, certamente há justiça no seu agir e onde há justiça com certeza há paz.

A Igreja templo material (instituição, hierarquia...) sem a igreja viva que deve estar em cada membro, facilmente vai à ruína, pois não estará fortificada e edificada na ação verdadeira do Espírito Santo de Deus. Neste modelo de "igreja" cabe qualquer coisa (interesse próprio com enriquecimento ilícito, charlatanismo, curandeirismo...) menos a ação de Deus.

Francisco quis e conseguiu evitar que o nome Igreja caísse na banalização. Começou por si mesmo através de uma conversão radical ao Evangelho. Depois de tudo que fez ele ainda disse: "irmãos vamos começar, pois até agora nada fizemos". Sendo assim, fica também para nós um convite: vamos reconstruir nossa igreja, pois pode ser que até agora pouco ou nada fizemos. Assim como Francisco, somos chamados a acordar do nosso sonho individual e a termos coragem de sonhar juntos, pois como diz uma certa música: "sonho que se sonha, só pode ser pura ilusão, sonho que se sonha juntos é sinal de mutirão". Tenhamos coragem então de sonhar em mutirão procurando perceber, na vontade de Deus, a reconstrução transformadora necessária e com certeza, agindo assim, justiça e paz serão os principais frutos que iremos colher.

Jessé Moreira Lopes.

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